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segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Vontade aleatória

Não, o genocídio não ressurgiu das trevas. Só que eu tenho escrito tantos anúncios, tantos spots, tantos VT's, que me deu vontade de escrever mais ainda, mas algo que não tenha a ver com publicidade e tenha mais de 140 caracteres.

Se uma coisa que eu posso ter certeza na vida é: eu soube escolher o que fazer. Não há nada no mundo que pague você acordar (mesmo que seja às 5:30 da manhã) e sair de casa pra fazer o que gosta. E ganhar dinheiro com isso (mesmo que seja pouco). Gosto de estar com gente criativa, em ambientes criativos e fazer coisas criativas.

Muita coisa mudou desde a formatura, mas eu tenho sentido falta dos meus amigos. Nossa, como eles me fazem falta. Sinto saudade dos sábados preguiçosos, cozinhando, bebendo, rindo e chorando com eles. Infelizmente, não temos podido estar juntos por agora, afinal, mudei de cidade e o cansaço do dia-a-dia consome qualquer um. Mas tenho urgência em reverter isso. Ou vou pirar.

That's all folks.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Má oêêê!

Como eu ando passando tempo considerável na frente do computador escrevendo sobre linguagem publicitária, segmentação de mercado e história da propaganda, notei que meu cérebro estava inchando o suficiente para ficar preocupada. Para aliviar a tensão, resolvi dar uma passada por aqui, tirar as teias de aranha, espanar a poeira e recuperar o terreno que vários seres inimagináveis haviam tomado para si.

Este post não tem pé, muito menos cabeça, sendo que esta, está no arquivo minimizado intitulado "Capítulo 1". Pelo menos esta tela não me faz ter crises de choro. Pois então galera, eu estou me formando! Quem diria, heim? Aquela guriazinha que largou a faculdade de direito para fazer Publicidade (até então, incentivada pela mãe que não se cansava de dizer: "Quanta criatividade jogada fora, minha filha, você deveria fazer Publicidade e Propaganda e tentar ganhar dinheiro com isso". É, praga de mãe sempre pega!), que gostava de fotografia e não tinha ideia do que um publicitário realmente fazia, ia conseguir chegar ao final.

Quatro anos de faculdade se passaram, desisti da fotografia, me apaixonei por redação, fiz bons trabalhos, me dei mal em outros. E agora, tudo termina dia 28. É difícil terminar a faculdade, sabia? Eu achava que nunca ia sentir falta daquelas aulas intermináveis de Teoria da Comunicação, das reuniões de brainstorm que quase acabavam em pancadaria. Mas, quatro anos se passaram e cá estou eu: encerrando a monografia, concluindo os projetos e rebolando pra dar conta das matérias. E já sentindo saudades.

Saudades de pensar que tudo era de brincadeira, podíamos fazer anúncios sacanas e nos darmos bem com isso, das vezes que um anúncio feito em 10 minutos virava contracapa do jornal do curso. Agora, parece que a vida real está batendo a porta, já não existe mais aquela desculpa de "quando eu me formar eu penso". Agora vem os preparativos da formatura, aguentar o namorado resmungando que não vai ser ele quem vai dançar a valsa comigo, o pai resmungando que não sabe dançar valsa, convites, vestido, decoração da recepção. Mas, junto com isso, vem uma série de inseguranças e preocupações. A proposta de trabalho em outro estado,  decidir entre pós-gradução, mestrado ou outro curso, elevar o namoro a um outro patamar e saber que agora não existem mais desculpas. Tem que encarar.

Acredite, passa rápido. Parece que foi ontem que vi meu nome entre os aprovados para o curso de direito e tinha certeza de que aquilo era o que eu queria para o resto da minha vida. E eu só tinha 16 anos. Larguei tudo, me encontrei e me decepcionei com a nova escolha daquilo que eu queria ser quando crescer. As inseguranças dos 16 anos passaram a ser outras, as certezas também. E eu só tenho 22 anos.

Mas, e quem disse que não vai ser sempre assim?
Tem que encarar.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Hoje é dia de figurinhas!

Eu ando meio sem ter o que falar ultimamente e acordei sem muita vontade de escrever, portanto, vou botar vocês pra verem figurinhas! Olha como eu sou legal, selecionei três seções de fotos e desenhos de artistas diferentes, todos com um mesmo tema: as princesas da Disney.

De uns tempos pra cá, tenho notado a grande fissura que vários artistas e fotógrafos tem mostrado pelas princesas, só que o mais legal: um lado que imaginávamos. Algumas dessas fotos acabam, finalmente, com as nossas percepções das lindas e intocáveis princesas, principalmente, o ensaio feito pela fotógrafa Dina Goldstein. Mas eu vou começar pelo mais bonitinho.

Annie Leibovitz:

A fotógrafa fez um ensaio com várias otários celebridades, vestidas como personagens dos clássicos da Disney. Alguns ficaram meio fora de contexto, mas a direção de arte e o resultado final ficaram ótimos.

David Beckham como Príncipe Phillip, de A Bela Adormecida
Gisele Bündchen como Wendy, de Peter Pan
Jennifer Lopez e Marc Anthony, como Jasmine e Aladdin
Jessica Biel como Pocahontas
Julie Andrews como a Fada Azul
Beyoncé, Alice no País das Maravilhas (ahn?)
Michael Phelps e Julianne Moore, A pequena Sereia
Rachel Wiesz (who?), A Branca de Neve
Roger Federer (oi?), O Rei Artur
Whoopi Goldberg, como o Gênio de Aladdin (gostava quando ele era azul)
Zac Gay Efron e Vanessa Peladona Hudgens, A Bela Adormecida
Scarlett Johansson como Cinderela (filha, vira modelo, porque atriz tá difícil. Fikdik)
Dina Goldstein:
Este é o meu favorito. Ela fez um ensaio intitulado 'Fallen Princesses' onde mostra o que, provavelmente, aconteceu com todas as princesas depois do 'e foram felizes para sempre'. Sempre se baseando nos problemas enfrentados pelas mulheres de hoje, o ensaio é divertido e realista.
Bela, de A Bela e a Fera, com um botoxzinho básico
O príncipe só quer saber de cerveja e fazer filhos.
Rapunzel perdeu os cabelos por causa do monografia câncer
Bela Adormecida hoje enche a cara de Rivotril
Cinderela hoje enche a cara de cachaça mesmo
Jasmine largou Aladdin e virou guerrilheira
James McTeigue:
Com desenhos inspirados nas princesas mas com traços de mangá, ele retrata a versão sombria das personagens. Não sei a data dos desenhos, mas a Branca de Neve é o plano de fundo do meu celular.
Alice no País das Maravilhas
A Pequena Sereia
A Bela e a Fera
A Bela Adormecida
A Branca de Neve
Cinderela
Jane (Tarzan)
Jasmine (Aladdin)
Mulan
Nala (O Rei Leão)
Pocahontas
Então, é isso. Por favor, isso deu trabalho pra fazer portanto, diga que ficou legal, ok?

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Um sonho realizado

Pra quem não sabe, eu sou redatora publicitária, profissão conhecida também como ‘trabalho escravo reconhecido pelo ministério do trabalho’. Redator é aquele cara que não sabe mexer no Corel, não tem noção de Photoshop, não sabe fazer orçamentos e nem tem idéia de que monte de ‘x’ é aquele numa tabela de mídia. O mais perto de planejamento que ele chega, é quando joga War. Aí, ele resolve ser redator e muitas vezes, nem escrever ele sabe.

O redator está para a agência de publicidade assim como o cocô está para o cavalo do bandido. Quando o estagiário está ocupado fazendo alguma coisa, é ele quem busca o café da galera da criação. Por isso, na minha curta trajetória de redatora, estando na terceira agência, eu percebi uma coisa: redatores nunca tem boas cadeiras. Normalmente, a cadeira do diretor de arte é alta, confortável, quase te abraça quando você senta nela. Uma delícia. A do redator, não. Diz a lenda de que em algumas agências, o redator é obrigado a sentar em pequenos tocos de bambu. É o que dizem.

Então, o redator tem dois objetivos na sua carreira: levar Cannes e ter uma cadeira igual a do diretor de arte. Objetivos igualmente esdrúxulos e inalcançáveis. Viramos noites trabalhando, desenvolvemos campanhas legais, nos estressamos, tudo em busca da realização do sonho da cadeira própria. O leão em Cannes é outra história, afinal, ele não depende da boa vontade do seu chefe. Você se esforça, volta pra casa com dores nos ombros, nas costas, descobre que tem artrite, artrose, tendinite, bursite e tudo o mais. Mas está lá, na cadeira que sobrou da última reforma da agência.

Hoje, aconteceu algo que eu não esperava que fosse acontecer antes dos meus 35 anos (de carreira, que fique claro). Eu ganhei uma cadeira igual a do diretor de arte. Sério, fiquei uns 5 minutos observando ela, a cadeira, linda e absoluta. Reparei seu design atraente, passei os dedos por todas as suas curvas, senti a maciez do tecido. Até que eu sentei. Neste momento, as nuvens de abriram e do céu desceram anjos tocando arpas douradas.

Ela é maravilhosa, tem rodinhas, gira, encosto alto, apoio pros braços! Eu poderia morar nessa cadeira. Hoje, eu recebi o maior reconhecimento que um redator publicitário pode querer: uma cadeira. Agora, confortavelmente instalada, criar coisas dignas de um leão em Cannes será fácil. Ou não.

Com vocês, ela, a minha cadeira nova:

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Até dezembro, dois filmes serão o tema deste semestre: 'Onde os Fracos não tem vez' e 'Mulheres à beira de um ataque de nervos'. Depois de 3 anos empurrando a faculdade com a barriga... ops! Quer dizer, não me esforçando taaaaanto quanto o sublime curso de Publicidade e Propaganda exige que eu me esforce, tá na hora de meter a cara nos livros e chorar em posição fetal no canto do quarto toda vez que pensar na apresentação da monografia.

É um semestre que não posso nem pensar em ler livros cujo título não contenha as palavras 'propaganda', 'marketing', 'comunicação', 'manipulação de mentes', 'estratégias', não vou mais poder perder os finais de semana vendo filmes e computador vai ser somente o necessário. A primeira grande mudança do semestre é pagar a pendência que eu tenho na biblioteca, afinal, agora seremos amigas íntimas. Minha alimentação não vai mudar muito. A base vai continuar sendo pizza congelada, miojo e coca-cola, só que agora, com energético. Sextas, antes regadas a música, vinho e baboseiras, agora serão preenchidas por livros, dois notebooks, coisas-que-me-mantenham-acordada e duas mulheres completamente loucas escrevendo de forma compulsiva. Sinceramente, eu espero que escrevamos de forma compulsiva.

É, começou o semestre do pesadelo. Juro que segunda-feira pela manhã, ouvi a voz do John, dos Jogos Mortais, dizendo 'e que o semestre comece', ao invés da música tema das Meninas Super Poderosas, que é meu alarme do despertador.

Victor ainda está aqui em casa e isso ainda dá um ar de férias pro apartamento zero-quatro. Como ele ainda está aqui, fico adiando a hora de cair de boca nos livros sob o pretexto de 'aah, tem que dar atenção pro namorado'. Não quero que ele vá embora nunca!

Agora eu tenho, finalmente, uma desculp plausível pra não atualizar mais esse blog! E viva a monografia!!! E Teoria da Comunicação, Planejamento de Campanha, Mídia, Planejamento em Comunicação...

sexta-feira, 27 de março de 2009

Mesa bagunçada, oficina de criação

'Uma mesa desarrumada é um catalizador de inspirações'. Quem disse isso foi Jason Arber, que é co-fundador da Wyld Stallyons, empresa de animação e motion graphics de Londres. Ele trouxe à tona um problema que qualquer agência de publicidade enfrenta: a desorganização do pessoal da criação.

Eu sou um ser bagunçado. Desde criança. Sei lá, tá em mim. Quando eu tinha 5 anos, minha mãe me mandou arrumar o guarda-roupas às 8h da manhã e disse que eu só sairia de lá quando tivesse terminado. Saí do quarto às 16h. Minha mochila era um horror. Provas jogadas no fundo, cadernos amontoados, às vezes até uma caneta que tinha vazado a tinta. Minha casa é desarrumada, meu quarto é desarrumado e minha bolsa é um caos. Mas eu me acho no meio disso tudo. Eu sei quando eu precisar de um cabo usb, ele vai estar jogado na gaveta que eu guardo meias e calcinhas, quando precisar de uma tesoura, ela vai estar na gaveta do banheiro.

Minha mesa na agência é um horror para os organizados de plantão. Nesse exato momento, posso ver um copo com água, minha xícara de café, que eu tenho o imenso cuidado de deixar um restinho dentro pro açúcar não grudar no fundo, um fone de ouvido, meu mp4 que jaz sem bateria atrás do computador, minha bolsa, um pacote de Fandangos que até tem uns salgadinhos caindo em cima de um job, um caderno que eu rabisco de brainstorms ao telefone da lavanderia, meu celular que fica do lado do computador porque assim, antes mesmo dele tocar, começa a dar interferência e eu já pego na mão e mais alguns papeis que tem algo escrito, mas eu não consigo ler porque comecei a usá-los como porta-copos e manchou tudo que tava anotado.

Minha chefe reclamou da bagunça outro dia. O que me conforta é saber que não sou só eu a bagunçada da história pois o diretor de arte e o diretor de criação também são adeptos da filosofia do 'amanhã eu arrumo'. Depois que ela saiu, arrumamos tudo. Como eu uso um notebook, tenho ainda mais espaço pra bagunçar: a gaveta do teclado. Além de tudo, é uma solução rápida pra quando algum cliente aparece aqui querendo conhecer o pessoal que faz os trabalhos dele. Mas enfim, arrumamos. Só que era o dia da hora extra. No dia seguinte, pela manhã a caixa de pizza estava na mesa da produção, a narguile na mesa do cafezinho e jobs espalhados. É assim, que é! Não adianta você tentar dizer pra uma pessoa que nasceu desorganizada pra ela virar uma maníaca por limpeza/arrumação.

E tenho a solução pra isso: a sala da criação devia ser uma câmara lacrada e com isolamento acústico. Teríamos uma portinha, assim como as que o carcereiro passa a comida pro preso, onde o atendimento passaria os jobs. Um telefone que não toca, mas pisca uma luz vermelha, tipo o das Meninas Super Poderosas, seria o contato direto com a produção. A entrada seria liberada apenas por senha ('qual a senha?', 'viral do nintendo wii', e a porta se abriria rapidamente).

Assim, teríamos criativos felizes, falando seus palavrões sem culpa, fazendo piadas de humor negro, vendo propagandas barulhentas no Youtube com suas mesas bagunçadas. O atendimento e os clientes não reclamariam de nada, afinal, não teriam contato com os seres semi-civilizados da criação. E no fim, todos seriam felizes, passarinhos cantariam, crianças jogariam bola nas ruas, gatos perseguiriam seus ratos enquanto são perseguidos pelo cachorro escandaloso da vizinha, mães mandariam seus pimpolhos levarem uma blusa, pois o tempo pode mudar. A vida seguiria seu rumo, enquanto a criação, estaria a salvo dos ataques histéricos de chefes e atendimentos.