quarta-feira, 1 de abril de 2009

Indignação Inútil

Dias desses, jogada no sofá da casa da minha mãe, curtindo o ócio nada criativo de um sábado a tarde, me deparo com uma coisa que me intrigou num primeiro momento: num 'jornal' da MTV, ninguém mais, ninguém menos que Mayra Dias Gomes aparece para falar de literatura. Prestei atenção pelos seguintes motivos:

1) Ou eu via aquilo ou a novela das 19h da Globo;
2) Poxa, era a Mayra Dias Gomes, filha do Dias Gomes, devia ter alguma coisa pra acrescentar;
3) Ela começou a falar do livro que inspirou o filme 'Medo e Delírio em Las Vegas', que, na minha humilde opinião, é um dos mais geniais com o Benício Del Toro e o Johnny Depp;

Nas primeiras três frases que ela soltou eu vi que a guria é fake, afinal, qualquer um pode digitar o nome do livro no Google, ler a resenha e comentar. Ponto. Foi isso que ela fez. Juro que se ela não tivesse uma tatuagem do Jack Skellington no braço direito pra prender minha atenção, eu teria colocado na novela das 19h da Globo.

Sabe, ela escreveu um livro há uns tempos atrás, 'Fugalaça', que, como eu sou muito legal, vou comentar para que você não faça a ca-ga-da de lê-lo.

Vamos lá: 'Fugalaça' vem de uma geração de meninas ricas e entediadas que compram, fofocam e transam. Tudo começou com 'Hell Paris 75016', da escritora rica e entediada Lolita Pille. O livro foi best seller, mas até aí dá pra entender, pois ele choca a sociedade francesa quando diz o que seus jovens ricos e entediados realmente fazem quando deveriam estar estudando.

Na mesma época, saiu o livro da italiana Melissa Panarello, '100 escovadas antes de ir para a cama', que fala da mesma coisa, só que se passa na Itália. A menina rica e entediada, se mete em altas confusões com uma turminha do barulho e apronta pra cachorro. E sempre dá pra toda a turminha do barulho. Foi best seller e virou filme.

Ainda em 2003, tivemos 'Aos Treze', com roteiro escrito por uma menina de 13 e narra a adolescência conturbadinha ao lado da amiguinha. Na minha opinião, a coisa mais transguessora que elas fizeram foi colocar um piercing na língua e pagar o cara com o corpo. Eu também tenho piercing na língua e nem por isso fiz um filme. Que fique claro que eu não paguei com o corpo.

Por fim, temos 'Fugalaça', onde Mayra Dias Gomes tem a mesma história contada nos outros livros que já lemos, o mesmo estilo de escrita batido, as mesmas confusões adolescentes que estamos cansados. Mas, aposto que assim como eu, várias pessoas pensaram: 'É a filha do Dias Gomes, deve ter algo a acrescentar', e viram que a melhor coisa a respeito dela é a tatuagem do Jack Skellington no braço direito.



Moral da história: se você for uma menina rica, entediada e tem quem publique suas peripércias sexuais, escreva um livro. Se seu sobrenome for o mesmo de um (bom) escritor famoso, melhor ainda.

4 comentários:

Caro Dahlem disse...

Fui eu que que dei o nome do blog, mas eu não tenho nenhuma tatoo, nem piercing, nem sou rica. Eu sou legal? Posso escrever um livro? Ah, deixa Tuty-Fruty, diz que sim, eu preciso taaaannnto da aprovação da sociedade - e da tua, lógico, ô, superintendente do inferno...

Caro Dahlem disse...

(Agora que reli, esse comentário ficou parecendo coisa de pessoa chapada. Ah, foda-se!)

anarockz disse...

As meninas que não são ricas, não são entediadas escrevem no blog haha, assim como a Tuty :D

Victor Tadeu Oliveira disse...

O blog é a versão dos pobres para publicar suas histórias quando não possuem dinheiro para pagar uma editora...hahaha!

O legal é a filosofia "menti, me droguei, fodi até as venta e arrebentar com as pregas. Mas taí, escrevi um livro, agora sou cool!"
E O MELHOR! Vira tendência!